Cheio de boas intenções*

*ou a Terra de Kebab
O narrador saiu, deixou a porta aberta, a caneta em cima do papel, que se começou a escrever, por si, sem mais ninguém, só as paredes, uma luz lá fora, o remoer citadino, o calor, por entre as letras, vozes, suor, um pouco de sede, uma vontade, e nada mais.

By Ring Joid

on 6 Dec 09

How good is this?

1 Star2 Stars3 Stars4 Stars5 Stars (1 votes, average: 4.00 out of 5)
Loading ... Loading ...

Está sempre sol em Biarritz. Aqui nem por isso.
– João, tu tens de mudar de atitude!
– Espera! Antes que te adiantes e digas mais qualquer coisa, não me podes chamar “João”!
– Não posso? Porquê?
– Porque “João” era a personagem da história da semana passada. Não podes estar a repetir-te. Os leitores não gostam.
– Leitores? Não sei. Não tenho nada a ver com isso. Que posso eu fazer? Não estava cá na semana passada. Não é esse o teu nome?
– O meu nome? O que eu sei é que não me podes chamar “João”, pelo menos isso não pode acontecer. Aqui. Agora. É uma das poucas coisas de que tenho a certeza.
– Está bem, posso não te chamar esse nome, mas não sou eu que mando nisto, nesta coisa da escrita. Nem sou eu que escrevo as histórias de Sexta-feira. Estamos só os dois aqui, a falar, e se queres saber sempre pensei que te chamavas “João”.
– Isso nem é relevante, posso ter centenas de nomes, mas todos menos esse, digo-te que não fica bem e, já agora, ninguém te mandou pensar, não nos pagam para isso. Mas já que estás nesse exercício, já pensaste quem é que nós somos, o que estamos aqui a fazer, como viemos cá parar? Diz-me, como viemos aqui parar?
– Não estou a perceber onde queres chegar. Aqui, onde? Que eu saiba nascemos como todas as pessoas. Depois disso tivemos uma infância e uma adolescência, estudámos numa escola e fizemos uma data de asneiras para podermos chegar até aqui. Foi assim que aconteceu. Se tu sabes dessas histórias dos meus nomes, eu sei disso.
– Tens a certeza? Achas mesmo que estiveste na escola, lembras-te disso? Consegues lembrar-te das raparigas da tua turma? Não tens cara de quem por uma vez tenha estudado alguma coisa. Cá para mim mal sabes ler. Soletras apenas, com dificuldade, e já é uma sorte.
– Claro que sei! E a escrever também me safo muito bem. As raparigas da minha turma tinham os nomes mais bonitos que se podem imaginar, esses não os conheces tu. Eram três. A minha escola ficava no cimo de uma colina cheia de árvores em seu redor. Um telheiro carregado de flores sempre a despertar com vida. Mais ao fundo, a descer, existia um grande relvado onde jogávamos à bola. Foi o único campo de futebol inclinado que alguma vez existiu no nosso país. Era impressionante, andarmos a correr para baixo e para cima. A baliza no topo era muito maior e isso equilibrava todo o desnível. A proporção foi averiguada pelo professor de Matemática do último ano. Matematicamente era um campo como todos os outros, na realidade era muito diferente, como tudo na vida.
– É isso, podes sempre imaginar o que quiseres. O passado fica tão perto da imaginação que a memória o esquece de imediato, criando em seu lugar a semelhança de muitas outras experiências. Depois sabemos lá, o que é e o que não é. Mas não te enganes, nós não existimos!
– Desculpa, se não existíssemos achas que estávamos aqui a perder tempo com esta conversa?
– Estás só a empatar. Estás a desperdiçar o teu tempo. A desperdiçar o que poderia ser um grande texto de ficção, porto-riquenho, por exemplo. Ocupas este espaço e com isso fazes com que as pessoas que nos conseguem ouvir percam tempo precioso das suas vidas. Isso não é muito agradável, devia haver uma advertência a sinalizá-lo, um livro de reclamações. Ou pelo menos um sinal a dizer: “Cuidado! Isto chateia!”
– Não há nada disso. Mas só nos ouvem porque querem, ninguém os obriga. São curiosas, estão mortinhas por um segredo. Não são capazes de perder uma. Ouvem para contar. Levam-nos. E como tu dizes, passamos a fazer parte do seu passado. Um dia vão sonhar connosco e quando acordarem ainda se lembram de nós e acabam por reconhecer as nossas caras se nos virem passar na rua.
– Parece que ainda não percebeste – ou não queres! – não vês que aqui não há ruas? Não há campos de futebol! Aqui só há espaço em branco, nem é papel. Muito espaço! E as palavras onde conseguimos existir. Só isso.
– A sério? Então e Biarritz?
– Não me perguntes. Também não sei. Não faço a mínima ideia. Não imagino qual seja o propósito.
– E quem é que sabe?
– Não me perguntes! Já disse que não sei. Pergunta-me pelo narrador se quiseres.
– Biarritz, Biarritz… Biarritz?
– Sim, fica no sul de França. Uma estância turística de velhotas e trintonas à pesca de um marido rico. E não acredito que lá esteja sempre sol.
– Não deve estar, não. Também nunca fui ao sul de França. Mas não se diz Biarritz do Oriente?
– Não! Diz-se Las Vegas da Ásia e Mónaco do Oriente. Biarritz… nunca ouvi. O mais perto disso será talvez Kota Kinabalu das Terras do Tio Sam.
– Mas se calhar é isso… por causa do tempo… pode chamar-se Biarritz.
– O tempo?
– Sim. Foi uma ideia que me surgiu agora. Porque aqui nunca faz sol…
– Também não é verdade… o céu está limpo de vez em quando
– Por não fazer sol veio à baila Biarritz. Será? Do Sul da China?
– Pois!
– E o narrador, queres que te pergunte por ele, que tem o narrador?
– Não tem. Observa à tua volta, está aqui alguém? Estamos completamente sozinhos. Nem as raparigas da tua turma cá estão. Ainda tens o número de telefone delas?
– Só nós os dois? Sem narrador??
– Sim, sem narrador! Não serve para nada. É muito melhor assim, os narradores metem-se sempre onde não são chamados, falam demasiado, contam tudo, dão com a língua nos dentes, não guardam segredos. Têm a mania de estar em toda a parte. É incrível. Mas nomes bonitos? Eram bonitas também, as raparigas da tua escola?
– Não me lembro. Na altura estava mais virado para nomes. Fazia listas. Sinceramente não me lembro das caras delas. Eram bonitas sim, muito bonitas. Mas diz-me, o que se faz sem narrador, consegue sobreviver-se?
– Muito bem. É a independência. Ficamos mais perto de Porto Rico.
– Porto Rico, Biarritz, Kota Kinabalu. Onde isto vai… damos quase a volta ao mundo.
– É, vai em roda livre. Escrevemo-nos sozinhos – sem narrador!
- Fenomenal, não é? É como conduzir sem travões. Aceleramos e vamos bater nas árvores da colina da tua escola, com a velocidade até partimos as janelas todas. Prego a fundo e estendemo-nos nas flores do telheiro. Rebolamos pelo campo de futebol abaixo. Com um bocado de sorte até vamos acompanhados. Pelo professor de matemática do último ano entretido ainda a fazer as suas contas. Sempre na dúvida. Golo! Raparigas é que nem vê-las. Está mal! Não é? Está mal. Não tens de certeza o telefone de alguma delas?
– Não! Se aqui existissem números de telefone telefonava ao narrador para me tirar daqui para fora. Mas antes que me esqueça, porque já estou farto disto, diz-me, quem era o João da semana passada? Porque raio não te posso chamar João, é assim tão importante?
– Não, nem chega a ser importante. Coitado, era um pobre coitado com alguns problemas cardíacos. A mulher também não era muito esperta, ou os dois não tinham sorte nenhuma, andavam à procura do Everest, mas o mais perto que conseguiram chegar foi do congelador. Não é por causa da história, é porque acho mal estares a repetir-te. Perde-se a vitalidade.
– Não sou eu que mando, já te disse. Se não gostas de João, ou se não pode ser, que nome queres que te chame? Qual é o teu nome afinal?
– Gervásio! Chama-me Gervásio, é o meu nome preferido. Não o conseguias imaginar nem que tentasses. Nem que fosses à procura dele em Lanzarote do País do Sol Nascente.
– Está bem. Gervásio! Tu é que sabes. Afinal és tu que mandas, descobri agora. Não há sol em Biarritz do Sul da China, pois não?
– Nem por isso.
– Gervásio!?
– Sim?
– Tens de mudar de atitude!

[NE: mudar o nome de Gervásio por outro qualquer ainda pior]

Bookmark and Share

Post to Twitter

Related Posts:

Tags: , , , , , ,

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *

*
*


  • Fingo

  • <?php the_title(); ?>
  • 04.Jun
  • Toshiba Zoom XR324Y
  • Dionísio, o Exíguo (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor (c. 470), no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma. Versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor.

  • <?php the_title(); ?>
  • 19.Feb
  • A descoser os lábios de uma ferida
  • Tempo morto. Tempo para usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão. Um tempo sem sombra, por preencher. E quantos dias mais. Quantas brasas por queimar. Mornas a precisar de chama. Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. E agora, dizes tu. E agora?

  • <?php the_title(); ?>
  • 21.Oct
  • Velouria
  • Nunca se começa uma história com a frase “Ia no meu BMW”, toda a gente sabe disso. Mas isto não é literatura. Isto não é nada. É apenas uma aversão. Aversão a uma vida. São os fios entrelaçados, quase sempre trocados e sem cor definida. A matéria cinzenta, os remoinhos, as suposições, os choques, de alguém profundamente desconcertado. Por isso, é assim que este texto começa. Por aí, em roda livre. Mas não se diz, salta-se para o lado de fora. Para o esquecimento.

  • Fabulaz

  • <?php the_title(); ?>
  • 18.Jun
  • Romance histórico
  • Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes eram outros. Mas os nomes não tinham importância afinal, por pertencerem a gente pequenina. Agora tudo se levante e chega como novo.

  • 26.May
  • Língua portuguesa
  • Diz-se para se ouvir. Mas em certos modos, épocas, construções químicas, esse processo não se realiza. Existe apenas a sensação. O desejo. O sabor daquilo que não se explica por palavras. E como tal, não pelo dizer ou pelo ouvir. Os olhos fecham-se e um sentido contundente do que somos, e que se reflecte num outro ser, ataca-nos sem mais lembrança. Sem mais representação. E tudo isso é um transporte para uma felicidade em pleno. Uma espécie em vias de extinção.

  • <?php the_title(); ?>
  • 30.Apr
  • Olhar para um palácio
  • A História mesmo por becos e veredas merece sempre ser contada. Cheguei ao território de Macau há demasiado tempo. Tudo passou de repente. As caras, os factos, as viagens. O que resta é o quotidiano, que se repete a cada minuto, incessante, com a mesma cadência. Como um rosto que se adivinha com a teimosia de quem olha sempre para um palácio.

  • 26.Apr
  • Venho apenas dizer-te adeus
  • Matusalém, personagem bíblico do Antigo Testamento, que teria sido filho de Enoque e o avô de Noé, é geralmente conhecido por ser a personagem com mais idade de toda a Bíblia, tendo vivido 969 anos, sendo que o ano de sua morte coincidiria com a ocasião do dilúvio, o que é apenas um cálculo aritmético já que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos. No livro apócrifo de Enoque, Matusalém vai pedir explicações ao seu pai devido ao facto de lhe ter nascido um neto estranho e diferente de todos o que havia visto até então.

  • Velox Vehemens

  • 26.May
  • Dezoitorizante
  • O tempo nem sempre corre como devia correr. Por vezes escapa-se para acontecimento incerto. Algures no passado ou no futuro. E o que fica é uma brisa. Um estalar de dentes. Um sorriso. Um eco. De uma coisa que já se foi. Há muito tempo. É mais um pequeno momento de Lime e o seu inseparável Purple.

  • <?php the_title(); ?>
  • 13.May
  • Nature boy
  • «Se as páginas deste livro consentem algum verso feliz, perdoe-me o leitor a indelicadeza de o ter ursupado previamente. Os nossos nadas pouco diferem; é vulgar e fortuita a cicunstância de que sejas tu o leitor destes exercícios e eu o seu redactor.»
    Jorge Luis Borges
    [nota em Fervor de Buenos Aires]

  • 13.May
  • Moço de recados
  • Queres dizer alguma coisa, mas não sabes como, por isso inventas, inventas largo, e dizes o que não deves dizer, porque na verdade não sabes falar, sabes sentir, sim, sentes à tua maneira, mas não sabes falar, não sabes contar, balbucias, depois ninguém te pode aparar e aí é que são elas!

  • <?php the_title(); ?>
  • 07.Dec
  • Odeia quando falho
  • Vai ser em Junho. O dia está marcado. Do próximo ano. É aí que tudo vai acontecer. Ou do outro ano. Que o mundo vai recomeçar. Sem enganos. Em vez de acabar. Ou do seguinte. Os dias limpos. Mais tarde. As serras verdes e a brilhar. O dia do nascimento. Ou para sempre. O dia em que morreu.

  • 06.Nov
  • O urso maior
  • Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

  • Rudimentum

  • <?php the_title(); ?>
  • 03.Sep
  • Até logo
  • Conrad foi educado na Polónia ocupada pela Rússia. O seu pai, um aristocrata empobrecido de Nałęcz, foi escritor e militante armado, sendo preso pelas suas actividades contra os ocupantes russos e condenado a trabalhos forçados na Sibéria. Pouco depois, a sua mãe morreu de tuberculose no exílio, e quatro anos mais tarde também o seu pai, apesar de ter sido autorizado a voltar a Cracóvia.

  • 09.Jul
  • Amanhã submerso
  • Os casos de polícias são verdadeiramente casos que envolvem uma organização de termos e burocracias, de formalidades, mas que formam em todo o seu novelo uma intenção. A vontade de desvendar o caso ou a de o levar ao esquecimento, para que desapareça dos olhos da sociedade e se iliba em nome de uma memória colectiva dissipante. Está sempre a acontecer.

  • <?php the_title(); ?>
  • 29.May
  • Talvez e só uma lenda… sem legendas
  • Luís Amorim morreu aos 17 anos. O Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia, também foi , igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade que por vezes vive muito distante da realidade. Na terra onde tudo parece ser a brincar e estar fora do sítio ou ser a faixa errada de um disco riscado. E quantos mais ocuparam a mesma cadeira dos quais nunca se ouviu falar?

  • Poematis

  • 02.Mar
  • Women, Wine and Snuff
  • John Keats was the latest born of the great Romantic poets, following Byron and Shelley. During his short life, his work was not well received by critics, but his posthumous influence on next generating poets was impressive. The poetry of Keats was characterised by sensual imagery and tempest desires. He died in Rome when he was twenty five.

  • 21.Feb
  • Pelos gritos
  • O solo a dez metros de outro solo. Que treme à passagem do rodado. Alcatrão, ferro, coisas armadas. O uivo de um novo bicho que rasga o pequeno horizonte. Solavancos. O redor tempestivo, das festas. E a tua mão a voar sobre elas. Por entre a minha boca aberta.

  • <?php the_title(); ?>
  • 20.Dec
  • Listen
  • Now, I couldn’t believe that in this very moment, faraway or here, someone isn’t thinking about me. I don’t think about it because believing just like that, there or here, any one may think about me, or believe in that tiny moment, that is thinking about me for some other reason in which I don’t believe, even thinking the opposite, will be a hard time.

  • 03.Dec
  • Cascos de rolha
  • Não contar a ninguém. Não falar. Sobre a faixa invertida. Esquecer. Perder a lembrança. Apenas o marco abstracto, aqui. E a lonjura. Como um ponto perdido. Para voltar a um qualquer início. Não, voltar não. Ir. Por um breve instante. Ao primeiro degrau. E voar.

  • 25.Nov
  • By Roberto Bolaño
  • My muse is following me, wherever I go or trail. She’s here ever, across this long night where years go by. Not caring about one or nothing, sickness or pain. And there’s no effort she makes to be just where we are. But Bolaño tells it much better.

  • 03.Aug
  • Para sempre também
  • O Homem do Leme é uma personagem que nasceu algures. Já se foi. Um homem sem leme. Sem vela. Um homem que vai ao sabor do vento, mas sem o provar, sem poder ir com ele. Um vento que lhe diz tudo não dizendo nada.

  • Sanus & Statua

  • <?php the_title(); ?>
  • 03.Apr
  • Step over my dead body
  • The Kills: Alison Mosshart was previously in Floridian punk rock band Discount, and Jamie Hince was in the British rock bands Scarfo and Blyth Power. The duo first met when Mosshart heard Hince practicing in the hotel room above hers, and when Scarfo and Discount disbanded they struck up a songwriting partnership.

  • 29.Mar
  • She’ll come, she’ll go
  • Lady Grinning Soul” is a ballad written by David Bowie, the final track on the album Aladdin Sane, released in 1973. The composer’s first meeting with American soul singer Claudia Lennear in 1972 is often cited as the inspiration for the song. One of most underrated songs quite unlike anything else Bowie has ever done.

  • <?php the_title(); ?>
  • 09.Feb
  • The stitches open
  • The Dø is a French duo formed by musician and soundtrack composer Dan Levy and Finnish singer Olivia Merilahti. The name is pronounced the same as the English word “dough” and is presumably derived from the first sound of the “Do-Re-Mi.”
    Dan said in an interview on TV that the name of the band is formed with the initials of their names. The word “dø” means “die” in Danish and Norwegian.

  • <?php the_title(); ?>
  • 12.Jan
  • Love yourself
  • “No Pussy Blues” is a garage rock song written by the band Grinderman. It talks about the tricks in the book to seduce a woman and sleep with her, only to be constantly rejected. When asked during an interview whether the song had a deeper meaning, Nick Cave replied “No, it’s just about not getting any pussy.”

Plurimus

Acreditamos que neste lugar tudo podemos fazer. Toda a liberdade existe por aqui. E nada mais importa.

We believe that in this place we can do everything. Freedom flows all over. And nothing else matters..

Flamma

E mais seremos se daqui pudermos ver o resto do Atlas e todo o Passado e, para além disso, uma boa parte do Futuro.

Nuntius