Veneno de rato

Era assim que passávamos as nossas noites. Quando acordavas eu já tinha ido para o emprego. Saía sempre à mesma hora, para me dar tempo de ler o jornal no café e saber o que se passava. E era sempre tanta coisa que quando chegava ao trabalho levava o tempo de um lado para o outro, a falar alto.

By Ring Joid

on 6 Jul 09

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A parte de que me lembro melhor, a que trouxe todo o destino atrás, foi o instante em que tive o meu primeiro ataque cardíaco.
Foi extraordinário. Uma sensação híbrida: num momento só uma trepidação pelo corpo todo, e a consciência súbita de que a minha vida de repente tinha ficado virada ao contrário e eu ali, de pernas para o ar.
Estava na cozinha, a abrir o frigorífico e a olhar lá para dentro, como sempre, quando não se tem mais nada para fazer. Tu agarrada ao televisor, como de costume. Ainda senti o zumbido do congelador, os vegetais a mudarem de tom, e de repente não estou lá.
Devias estar sentada no sofá,só podias estar, nem seria preciso confirmar, se pudesse, a veres a novela ou a quinta das tuas celebridades, ou essas porcarias que estás sempre a ver. E aquilo! Um aperto no coração, forte, um espeto que vai e vem num só compasso, em tudo igual àqueles que se agarram à carne e a penduram, como no talho. A estocada de um toureiro, foi o que devo ter imaginado, eu que não sou nada de touradas.
“Sónia!”, chamei. E tu nada. “Sónia…”
Não ia gritar por socorro, coisa ridícula, mas fiquei no chão da cozinha ainda a pensar um segundo ou dois, de olhos bem abertos. Vítreos. Leite no soalho, um chinfrim de brócolos atrás da minha cabeça e os restos do dia anterior espalhados por ali fora, como se tivessem saltado de mim, pela minha pele. Devo ter desmaiado por uns segundos que pareceram toda a minha vida, mas nesses instantes consegui lembrar-me de um email que tinha recebido há tempos e que contava que se deve tossir quando se tem um ataque cardíaco. A tosse mantém a bomba a trabalhar e não a deixa explodir de imediato, fica ali ainda em stand by como um relógio. E começo a tossir, a tentar pôr-me de pé.
E tu da sala: “João páras com isso? Já me começas a irritar. Não consigo perceber nada.”
Começava sempre a irritar-te por tudo e por nada, só por não perceberes o que o apresentador estava a dizer, era tudo areia demais para a tua camioneta, de um só lugar.
“Sónia, tive um ataque cardíaco, por favor, leva-me ao hospital!”. Isto pelo meio da tosse, o que parecia uma frase muito longa, imperceptível, sem sentido.
“Estás engasgado? Bebe um copo de água, agora não posso, deixa-me em paz!”, eu deixava-te sempre em paz, era o que valia.
Não parava de tossir e tu a pores a televisão mais alto. “João, já chega, por favor!”, depois lá vinha o famoso: “Que raios!”, que dizias tantas vezes.
A minha sorte, disse o médico mais tarde, o que me salvou a vida, foi ter pensado rápido, e ter continuado sempre a tossir, deixando a operação triunfo a correr, sem mudar de canal, e ter resolvido descer até à rua e apanhar um táxi. Ia meio em pijama, ainda de chinelos, a tossir que nem um palerma, mas foi isso que me salvou, agir nesse instante.
“Hospital, depressa!”, e não me lembro de mais nada.
Sei que te ligaram e tu ficaste surpresa por saberes que eu estava no hospital, se mesmo agora estava ali na cozinha sem nada para fazer. Sei que me deram uns choques eléctricos porque tinha o peito a ferver, e a fumegar, com as marcas de um ferro de engomar, como se tivesse ido à torradeira. Deve ter sido mesmo à última que a vida me trouxe de volta, tudo tão rápido, tudo tão lento.
Quando apareceste vinhas chateada, um pouco desarranjada, como se te tivessem tirado do meio de um pesadelo ou do sofazinho.
Mas ainda disseste, “Oh João também me pregas com cada uma. Como é que te foste lembrar de ter um ataque cardíaco no meio da rua? Que mania a tua!”
Não te expliquei, não valia a pena, tudo te tinha passado ao lado, lá em casa.

Fiquei uns dias ainda no hospital e tu nem me vieste ver, disseste que estavas muito ocupada. Falávamos ao telefone. Parecias simpática.
“Estás melhor, João? Quando voltas para casa?”, e desligavas.
Não me deixavas responder, ou se ainda respondia, já não te interessava muito, ou se te interessava era como se não interessasse. Já não estavas lá.
Os miúdos e a minha família vieram ver-me, e os Amigos, e estiveram sempre comigo e, mesmo assim, foram uns belos dias. Sabes, nunca te disse, mas sempre tive uma panca por enfermeiras. Do emprego mandaram-me cartões e flores, e o meu chefe ainda me veio ver uma vez ou duas, simpático, com o seu cestinho ao ombro cheio de chocolates e um termo de chá, a dar-se a esse trabalho, quando tem sempre tanto para fazer.
“Sónia? Cheguei!”
Não estavas em casa. Às vezes, de noite, ausentavas-te, dizias que ias comprar qualquer coisa, cigarros ou a pílula, porque te tinhas esquecido, e nunca mais aparecias. Quer dizer, aparecias às tantas e enfiavas-te na cama depois de tomares um duche, mas o teu cabelo, que tu não lavavas porque, àquela hora, não estavas para o secar, cheirava a qualquer coisa estranha. Acre. Cheirava a veneno de rato, pensava eu. Eu ouvia-te mas não dizia nada, ficava ali a sentir a tua respiração por cima da minha, cada vez mais ausente. Eu a achar que te ia dar um treco. Vinhas ofegante e de repente nem um pio. Ficavas para lá, do outro lado da cama.
E sei lá que coisas tínhamos pelo meio. Um mundo inteiro. Cidades e serras. Mares secos por nunca terem sido navegados, com os barcos espetados na terra. Torpedeiros e contratorpedeiros. As espinhas todas dos peixes a fazerem de cordilheiras. Montanhas, vales, ainda os desertos sem ninguém lá a morar, e uns camelos aqui e ali, que ruminavam sem parar. Era esse o paraíso do nosso colchão e eu nem te via.
Às vezes dava para ver a história toda da Bíblia, como um jogo de futebol, uns de lá, outros de cá. O Moisés, o número 10, a entrar pelo Mar Vermelho e o Messias, o 12, a despejar o alcatrão e a fazer uma estrada, sozinho, coitado, para ele passar. Com os animais do Noé, que nunca aparecia, em rebanhos, muito devagar, mais atrás. E o Abraão. A Mesopotâmia, o Tigre e o Eufrates. Canaã. Isso tudo entre nós. E ainda o Everest. Do teu lado uns homenzinhos com um sorriso que lhes ardia nas mãos a tentarem subir. Muito devagar. Cheios de esforço mas com muita vontade e força. Engraçado como se podia ver os nevões e as tempestades, mas não se sentia o frio, e deste lado podia assoprar e fazer mais vento e criar avalanches. Quando eles chegavam lá acima com os fósforos na mão ainda lhes dava um piparote que iam quase parar ao teu colo. O Monte Everest, pobrezinho, mesmo ali à mão.
Era assim que passávamos as nossas noites. Quando acordavas eu já tinha ido para o emprego. Saía sempre à mesma hora para me dar tempo de ler o jornal no café e saber o que se passava, e era sempre tanta coisa que quando chegava ao trabalho levava o tempo de um lado para o outro, a falar alto.
“João, tenho de ir comprar uns cigarros, já volto!”
Eu a abrir a porta do frigorífico. O congelador ainda ali em temperatura constante, o mesmo frio de sempre. Cheio de nevões e de homenzinhos a fumar, a esfregarem as mãos e a conversarem. Todos à espera do Noé que não havia meio de chegar.
“O Noé, pá, já veio? Disse que estava cá às nove e já são onze e meia, é sempre a mesma coisa.”
E sentavam-se ali a esperar, na borda dos restos do mês anterior, enquanto faziam umas fogueiras.
Um dia disseste que ias para a Tailândia, fazer voluntariado. Tinhas-me preparado durante a semana com essa história toda, como se fosse preciso. Nunca falaste tanto comigo como nesses dias, se calhar mais do que nos anos todos em que vivemos juntos, e ainda foram alguns. Era uma associação que ajudava os desprotegidos, dizias, que todos os anos lá ia dar uma mãozinha.
“Coitados, João!”
E tu, generosa como és, também achaste que devias ir. Ficaste lá quinze dias. Chegaste com outra cor. Bronzeada. Gira. Cheia de compras. E eu, tanto tempo ali à espera, a tratar-me no cardiologista, e quando chegaste nem me deste um beijo. Ainda me trouxeste uma camisa, que até era engraçada. Mas quando agarrei nela, um cheiro qualquer, de camisa de alguém, de uma ratazana, às risquinhas, que nunca a consegui vestir. Está para ali no guarda-fato. E acredita, o fedor, talvez com medo, foi fugindo para a outra roupa, como os homens na nossa cama que subiam o Everest com os animais do Noé a alisar a terra, e agora não consigo vestir mais nada. Ando só com esta coisa que parece um fato de macaco.

Mas depois, pouco depois, nem chegou a uma semana, deu-me o segundo enfarte.
“É desta!”, pensei.
Os miúdos tinham ido de férias para casa dos avós, era Páscoa, que sorte, e tu tinhas ido comprar a pílula, a segunda vez em três dias. É verdade, o médico também me disse que tinha tido uma boa atitude, que se não tivesse sido isso teria lerpado. O que foi é que por essa altura tinha recebido um outro email, cheio de letras gordas, a dizer que se devia tomar duas aspirinas quando se tem um ataque cardíaco e eu, com medo de tossir, porque da outra vez tinha sido à rasquinha, lembrei-me disso.
Devo ter ficado azul, porque não me consegui mexer durante uma data de tempo, tinha só uns piquinhos nos pés, e quando cheguei ao armário dos remédios, ainda o Noé não tinha aparecido, só havia uma aspirina. “Merda!”, como tinhas ido à farmácia ainda te liguei, “Sónia, traz-me aspirinas, por favor, estou a sentir-me mal!”
Mas atendeu outra pessoa – o Noé? – e não ouvi mais nada, apenas uns “ais” lá ao fundo. Mas foi com uma aspirina que me safei. Telefonei para as emergências, disse o que se tinha passado e fiquei à espera a mastigar devagarinho, a fazer durar o comprimido na boca o tempo que fosse preciso, como se fosse a dobrar. Que se lixe o coração, devo ter pensado, não é mais forte do que eu. Devia estar sentado, com calma, dizia ainda a mensagem electrónica, se me deitasse ia com um piparote para o outro lado e não era decerto para o teu colo. E aguentei-me.
Nem esperei que me fosses visitar, porque não foste, nem me lembrei disso por causa do espanto das enfermeiras, e foram uns belos dias. O meu chefe a trazer-me fruta fresca. Dois meses e tal e baixa de mais um numa estância turística na Malásia. Não quiseste vir, porque quando cheguei a casa, “Sónia?”, tinha um bilhetinho a dizer que tinhas deixado os putos em casa da tua mãe e que ias para o Monte Everest. Não foi necessário explicar mais nada. A associação, pois. O dança comigo. O Noé!
Nessa noite, quando fui para a cama, preparei a coisa toda. Deitei-me, fechei os olhos e esperei. O Moisés já lá estava em cima a respirar devagarinho por causa da altitude e dos mandamentos. Um nevão, uma avalanche, uns relâmpagos que trouxe do hospital, agarrados ao peito. Isso tudo era o que te esperava. Mas, pelo contrário, deixei-me dormir, coisa que nunca tinha feito naquela cama, porque estava sempre cheia de gente e de porta-aviões, e em vez disso sonhei, e ao sonhar nunca mais acordei. Isso foi há anos. Uma eternidade, tão curta.
Melhor, agora passo os dias com o Noé, ele conta-me histórias de animais, delira com a maneira de os inventar, e gastamos todo o nosso tempo nisso, sem nos preocuparmos se alguém está à espera. Sei que não nos vês, mas na verdade é como se vivêssemos na floresta do teu cabelo, porque às vezes consigo ouvir-te, abres o congelador e perguntas:
“João?! Estás aí?”
E entras.

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3 Comments

  1. Frances added these meaningful words on October 20, 2009 | Permalink

    Durante quase um ano, abrir e fechar a porta do meu frigorífico, foi um exercício apaziguador.

  2. Frances added these meaningful words on October 20, 2009 | Permalink

    “Oh João também me pregas com cada uma. Como é que te foste lembrar de ter um ataque cardíaco no meio da rua? Que mania a tua!”

    … estas Sónias são por demais!

  3. Ring Joid added these meaningful words on December 21, 2009 | Permalink

    É assim a vida, às vezes vive-se morrendo.

One Trackback

  1. [...] [...]

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  • Fingo

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  • 04.Jun
  • Toshiba Zoom XR324Y
  • Dionísio, o Exíguo (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor (c. 470), no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma. Versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor.

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  • 19.Feb
  • A descoser os lábios de uma ferida
  • Tempo morto. Tempo para usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão. Um tempo sem sombra, por preencher. E quantos dias mais. Quantas brasas por queimar. Mornas a precisar de chama. Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. E agora, dizes tu. E agora?

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  • 21.Oct
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  • Fabulaz

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  • 18.Jun
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  • 26.May
  • Língua portuguesa
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  • 30.Apr
  • Olhar para um palácio
  • A História mesmo por becos e veredas merece sempre ser contada. Cheguei ao território de Macau há demasiado tempo. Tudo passou de repente. As caras, os factos, as viagens. O que resta é o quotidiano, que se repete a cada minuto, incessante, com a mesma cadência. Como um rosto que se adivinha com a teimosia de quem olha sempre para um palácio.

  • 26.Apr
  • Venho apenas dizer-te adeus
  • Matusalém, personagem bíblico do Antigo Testamento, que teria sido filho de Enoque e o avô de Noé, é geralmente conhecido por ser a personagem com mais idade de toda a Bíblia, tendo vivido 969 anos, sendo que o ano de sua morte coincidiria com a ocasião do dilúvio, o que é apenas um cálculo aritmético já que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos. No livro apócrifo de Enoque, Matusalém vai pedir explicações ao seu pai devido ao facto de lhe ter nascido um neto estranho e diferente de todos o que havia visto até então.

  • Velox Vehemens

  • 26.May
  • Dezoitorizante
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  • 13.May
  • Nature boy
  • «Se as páginas deste livro consentem algum verso feliz, perdoe-me o leitor a indelicadeza de o ter ursupado previamente. Os nossos nadas pouco diferem; é vulgar e fortuita a cicunstância de que sejas tu o leitor destes exercícios e eu o seu redactor.»
    Jorge Luis Borges
    [nota em Fervor de Buenos Aires]

  • 13.May
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  • 07.Dec
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  • 03.Sep
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  • 09.Jul
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  • 29.May
  • Talvez e só uma lenda… sem legendas
  • Luís Amorim morreu aos 17 anos. O Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia, também foi , igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade que por vezes vive muito distante da realidade. Na terra onde tudo parece ser a brincar e estar fora do sítio ou ser a faixa errada de um disco riscado. E quantos mais ocuparam a mesma cadeira dos quais nunca se ouviu falar?

  • Poematis

  • 02.Mar
  • Women, Wine and Snuff
  • John Keats was the latest born of the great Romantic poets, following Byron and Shelley. During his short life, his work was not well received by critics, but his posthumous influence on next generating poets was impressive. The poetry of Keats was characterised by sensual imagery and tempest desires. He died in Rome when he was twenty five.

  • 21.Feb
  • Pelos gritos
  • O solo a dez metros de outro solo. Que treme à passagem do rodado. Alcatrão, ferro, coisas armadas. O uivo de um novo bicho que rasga o pequeno horizonte. Solavancos. O redor tempestivo, das festas. E a tua mão a voar sobre elas. Por entre a minha boca aberta.

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  • 20.Dec
  • Listen
  • Now, I couldn’t believe that in this very moment, faraway or here, someone isn’t thinking about me. I don’t think about it because believing just like that, there or here, any one may think about me, or believe in that tiny moment, that is thinking about me for some other reason in which I don’t believe, even thinking the opposite, will be a hard time.

  • 03.Dec
  • Cascos de rolha
  • Não contar a ninguém. Não falar. Sobre a faixa invertida. Esquecer. Perder a lembrança. Apenas o marco abstracto, aqui. E a lonjura. Como um ponto perdido. Para voltar a um qualquer início. Não, voltar não. Ir. Por um breve instante. Ao primeiro degrau. E voar.

  • 25.Nov
  • By Roberto Bolaño
  • My muse is following me, wherever I go or trail. She’s here ever, across this long night where years go by. Not caring about one or nothing, sickness or pain. And there’s no effort she makes to be just where we are. But Bolaño tells it much better.

  • 03.Aug
  • Para sempre também
  • O Homem do Leme é uma personagem que nasceu algures. Já se foi. Um homem sem leme. Sem vela. Um homem que vai ao sabor do vento, mas sem o provar, sem poder ir com ele. Um vento que lhe diz tudo não dizendo nada.

  • Sanus & Statua

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  • 03.Apr
  • Step over my dead body
  • The Kills: Alison Mosshart was previously in Floridian punk rock band Discount, and Jamie Hince was in the British rock bands Scarfo and Blyth Power. The duo first met when Mosshart heard Hince practicing in the hotel room above hers, and when Scarfo and Discount disbanded they struck up a songwriting partnership.

  • 29.Mar
  • She’ll come, she’ll go
  • Lady Grinning Soul” is a ballad written by David Bowie, the final track on the album Aladdin Sane, released in 1973. The composer’s first meeting with American soul singer Claudia Lennear in 1972 is often cited as the inspiration for the song. One of most underrated songs quite unlike anything else Bowie has ever done.

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  • 09.Feb
  • The stitches open
  • The Dø is a French duo formed by musician and soundtrack composer Dan Levy and Finnish singer Olivia Merilahti. The name is pronounced the same as the English word “dough” and is presumably derived from the first sound of the “Do-Re-Mi.”
    Dan said in an interview on TV that the name of the band is formed with the initials of their names. The word “dø” means “die” in Danish and Norwegian.

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  • 12.Jan
  • Love yourself
  • “No Pussy Blues” is a garage rock song written by the band Grinderman. It talks about the tricks in the book to seduce a woman and sleep with her, only to be constantly rejected. When asked during an interview whether the song had a deeper meaning, Nick Cave replied “No, it’s just about not getting any pussy.”

Plurimus

Acreditamos que neste lugar tudo podemos fazer. Toda a liberdade existe por aqui. E nada mais importa.

We believe that in this place we can do everything. Freedom flows all over. And nothing else matters..

Flamma

E mais seremos se daqui pudermos ver o resto do Atlas e todo o Passado e, para além disso, uma boa parte do Futuro.

Nuntius