Talvez e só uma lenda… sem legendas

Luís Amorim morreu aos 17 anos. O Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia, também foi , igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade que por vezes vive muito distante da realidade. Na terra onde tudo parece ser a brincar e estar fora do sítio ou ser a faixa errada de um disco riscado. E quantos mais ocuparam a mesma cadeira dos quais nunca se ouviu falar?

By Antønio Falcão

on 29 May 10

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Um episódio recorrente em Macau, que se aprende mal se chega, é saber o que devemos ou não dizer para que não se comece a pisar um quintal que não nos diz respeito. Tarefa difícil.

O que nos diz respeito então? Se alguém comete uma falcatrua e consegue um negócio vantajoso, no limite de uma certa legalidade, mas ainda do lado de cá, isso decerto não diz respeito a quem está de fora. É um jogador e é apenas mais espertalhão do que todos os outros. É um vencedor no campeonato do seu belo pátio. Ponto final.

Há coisas que nos afectam colateralmente, que sobram de um elemento para o outro e que se arrastam até nós como as marés de um rio. A questão do trânsito, da poluição, a inflação, a eficácia dos serviços governamentais e por aí fora. O que há e o que não há na metrópole onde vivemos. O que devia haver para que essa cidade tenha letra maiúscula e seja considerada como tal e não uma aldeia em que as boas intenções muitas vezes não saem do papel ou da cabeça de quem as pensa. Aqui a humidade periodicamente ofusca as ideias luminosas de quem as produz e as coisas acabam por correr como a água opaca que vagueia por este domínio do Delta. Deixa-se andar. Ninguém vê, ninguém quer saber.

Mas há outras certezas que infectam directamente os alicerces de qualquer sociedade e que não podem ser deixadas passar em claro. O problema das instituições de saúde que são a força que nos protege, que deve estar sempre disponível ao nosso lado em caso de uma emergência, como segurança plena de uma civilização desenvolvida. E não o contrário, o receio pleno que aconteça qualquer coisa e não ter lugar onde ser curado. Depois há a questão premente da Justiça, ponto chave de qualquer estado que se rege pelo primado da lei e do Direito. A justiça, sim. Fala-se dela a toda a hora. O que é justo e o que não é. O que vale e o que fica.

Há coisas que não podem ser escritas de outra maneira. Uma delas é a realidade. Escreve-se com todas as letras e sem enganos. Existe dia após dia, sempre à mesma hora, mesmo sendo um martírio. Por um lado pune-se implacavelmente e de forma exemplar, o suspeito entra no tribunal já com a cama feita, por outro tapam-se os olhos e vira-se a cara para o lado. E o presumível suspeito pode não ser na verdade uma pessoa, é apenas o mecanismo de uma condição, uma peça estragada que se abandona sem espaço para aperfeiçoamento.

A justiça por vezes pratica um delito superior àquele que pretende condenar, evocando o juízo, essa causa nobre, para o fazer. Será que tem consciência do que faz? Será que consegue dormir à noite, descansada? Talvez não. Ou então, desatenta das suas acções, vive tranquila na ignorância de uma posição que não alcança. A virtude. Porque tanto pode assumi-la como pode em seu lugar praticar outro labor qualquer, e estar noutro campo dissonante, como se a posição da justiça fosse análoga à de um cabeleireiro ou de alguém que pinta as unhas. Como do mesmo modo se confunde um médico com um taxista. Mesmo aqueles que acham que fazem o bem muitas vezes estão equivocados e no que lhes podia sobrar de humildade e de desafio, para com isso puderem aprender, perdem-se na arrogância e na insensibilidade que por vezes têm em excesso. Para alguns o destino já está traçado.

O caso de Luís Amorim, passados três anos sobre os acontecimentos sombrios que levaram a vida desse estudante da Escola Portuguesa de Macau, estão de novo a fervilhar no ar. E por quanto tempo? Quanto tempo até que alguém lhe ponha uma tampa em cima e o atire de novo para um canto, inanimado?

Partimos do primeiro ponto. O jovem português foi encontrado sem vida na via sob a velha ponte Nobre de Carvalho no dia 30 de Setembro de 2007. De pronto as autoridades competentes emergiram ao local dando o vaticínio e resolvendo a história in loco. Sem mais. “O seu filho suicidou-se!”, como quem diz, de maneira indiferente, como se fosse a mesma coisa, “Olhe, suicidaram o seu filho!”, como se de repente esse termo se transformasse em verbo regular bem ao modo da língua maquista em que tudo faz parte de uma pequena peça de teatro, cheia de humor negro. A identidade toda de um povo toda em cima de um palco. Com palmas e gargalhadas.

E já está, esse é o fim da história. Para os pais do Luís é apenas o princípio de uma longa batalha solitária para o apuramento da verdade, que só agora, quase 3 anos depois, vê acender-se uma pequena luz bem lá ao fundo do túnel. Não se trata de obter a verdade mas, no mínimo, por todos os meios possíveis tentar compreender o que aconteceu, dando um passo que seja para lá chegar, memo que daí não se encontre um culpado.

A partir do momento em que as autoridades de Macau obstruem essa opção de imediato estão a obstruir a nossa cidadania, como se ela se movesse como um bate estacas e tivesse semelhante importância. E não se fala de uma só instituição fala-se de uma complexa rede organizada que incita para que o caso seja aglutinado pelo esquecimento. Uma ordem que vem de cima e engole qualquer coloração da verdade.

E pergunta-se, quem em Macau consegue, com um só movimento, controlar em simultâneo a policia, as autoridades judiciais, os oficiais mais graduados do ministério público, os técnicos de saúde que averiguam a precisão dos factos e ainda especialistas vindos do outro lado da fronteira que confirmam a veracidade dessa análise. E ao mesmo tempo, como se tratasse apenas de um interruptor, calassem de rompante a opinião pública com um silêncio de cegos. Quem tem esse poder? Ou quem por essas alturas se deixa controlar de tal modo?

Adivinha-se que é alguém para quem a vida de um jovem é um mal menor de uma figura muito mais complexa e viciosa. E nada que se faça a irá recuperar, ninguém vai trazer o Luís de volta e pode até acontecer que a verdade nunca venha à tona da água e fique para sempre enevoada por entre as mãos ímpares – ou os pés! – de quem cometeu semelhante acto. Mas se voltar acontecer, de quem é a culpa? De quem não preveniu, de quem esqueceu? De quem teve medo de trazer o assunto para o quintal, porque é sempre preciso manter as aparências? São tudo questões no ar que vão e vêm com o vento.

Mais questões. As autoridades portugueses presentes no território devem ou não questionar, devem ou não querer saber mais? Ou levadas pela harmonia das gentes, de uma terra que se diz de letra maiúscula, se deixam estar de leque na mão. À espera que chegue o navio para o regresso.

Se de um dia para outro os telejornais trouxerem de novo uma notícia idêntica talvez alguém volte a recordar o nome de Vítor Silva, levado à queima roupa em pleno dia e que não passa de mais um dos números da justiça por apurar e de quem hoje já ninguém sabe da história. E pergunta-se. Calamo-nos ou continuamos a falar? Acredito que muitos devem estar a pensar que talvez seja melhor baixar os braços e absorver o ar puro de uma terra que afinal é de fantoches e não se quer de outra maneira. Ou simplesmente fazer como essa personagem chamada Leocardo que diz as coisas e não dá a cara, por que a tem enfiada na areia. Preta.

E assim a vida continua.

[Memória Indulgente #4 • Publicado no jornal Hoje Macau • 28 MAI 2010]

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2 Comments

  1. João Paulo added these meaningful words on May 29, 2010 | Permalink

    Bom artigo, António. Importante que alguém escreva sobre este assunto. Ficamos à espera de mais. E não percas tempo com figuras como o Leocardo, não existem!

  2. José Amorim added these meaningful words on June 2, 2010 | Permalink

    Até quando essas forças vão continuar a actuar impunemente?
    Nós pais do Luís estamos determinados a lutar para que se faça JUSTIÇA.
    Não compreendemos como as autoridades portuguesas podem ignorar estes casos, qual é o seu papel?

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  • Fingo

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  • 04.Jun
  • Toshiba Zoom XR324Y
  • Dionísio, o Exíguo (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor (c. 470), no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma. Versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor.

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  • 19.Feb
  • A descoser os lábios de uma ferida
  • Tempo morto. Tempo para usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão. Um tempo sem sombra, por preencher. E quantos dias mais. Quantas brasas por queimar. Mornas a precisar de chama. Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. E agora, dizes tu. E agora?

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  • 21.Oct
  • Velouria
  • Nunca se começa uma história com a frase “Ia no meu BMW”, toda a gente sabe disso. Mas isto não é literatura. Isto não é nada. É apenas uma aversão. Aversão a uma vida. São os fios entrelaçados, quase sempre trocados e sem cor definida. A matéria cinzenta, os remoinhos, as suposições, os choques, de alguém profundamente desconcertado. Por isso, é assim que este texto começa. Por aí, em roda livre. Mas não se diz, salta-se para o lado de fora. Para o esquecimento.

  • Fabulaz

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  • 18.Jun
  • Romance histórico
  • Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes eram outros. Mas os nomes não tinham importância afinal, por pertencerem a gente pequenina. Agora tudo se levante e chega como novo.

  • 26.May
  • Língua portuguesa
  • Diz-se para se ouvir. Mas em certos modos, épocas, construções químicas, esse processo não se realiza. Existe apenas a sensação. O desejo. O sabor daquilo que não se explica por palavras. E como tal, não pelo dizer ou pelo ouvir. Os olhos fecham-se e um sentido contundente do que somos, e que se reflecte num outro ser, ataca-nos sem mais lembrança. Sem mais representação. E tudo isso é um transporte para uma felicidade em pleno. Uma espécie em vias de extinção.

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  • 30.Apr
  • Olhar para um palácio
  • A História mesmo por becos e veredas merece sempre ser contada. Cheguei ao território de Macau há demasiado tempo. Tudo passou de repente. As caras, os factos, as viagens. O que resta é o quotidiano, que se repete a cada minuto, incessante, com a mesma cadência. Como um rosto que se adivinha com a teimosia de quem olha sempre para um palácio.

  • 26.Apr
  • Venho apenas dizer-te adeus
  • Matusalém, personagem bíblico do Antigo Testamento, que teria sido filho de Enoque e o avô de Noé, é geralmente conhecido por ser a personagem com mais idade de toda a Bíblia, tendo vivido 969 anos, sendo que o ano de sua morte coincidiria com a ocasião do dilúvio, o que é apenas um cálculo aritmético já que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos. No livro apócrifo de Enoque, Matusalém vai pedir explicações ao seu pai devido ao facto de lhe ter nascido um neto estranho e diferente de todos o que havia visto até então.

  • Velox Vehemens

  • 26.May
  • Dezoitorizante
  • O tempo nem sempre corre como devia correr. Por vezes escapa-se para acontecimento incerto. Algures no passado ou no futuro. E o que fica é uma brisa. Um estalar de dentes. Um sorriso. Um eco. De uma coisa que já se foi. Há muito tempo. É mais um pequeno momento de Lime e o seu inseparável Purple.

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  • 13.May
  • Nature boy
  • «Se as páginas deste livro consentem algum verso feliz, perdoe-me o leitor a indelicadeza de o ter ursupado previamente. Os nossos nadas pouco diferem; é vulgar e fortuita a cicunstância de que sejas tu o leitor destes exercícios e eu o seu redactor.»
    Jorge Luis Borges
    [nota em Fervor de Buenos Aires]

  • 13.May
  • Moço de recados
  • Queres dizer alguma coisa, mas não sabes como, por isso inventas, inventas largo, e dizes o que não deves dizer, porque na verdade não sabes falar, sabes sentir, sim, sentes à tua maneira, mas não sabes falar, não sabes contar, balbucias, depois ninguém te pode aparar e aí é que são elas!

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  • 07.Dec
  • Odeia quando falho
  • Vai ser em Junho. O dia está marcado. Do próximo ano. É aí que tudo vai acontecer. Ou do outro ano. Que o mundo vai recomeçar. Sem enganos. Em vez de acabar. Ou do seguinte. Os dias limpos. Mais tarde. As serras verdes e a brilhar. O dia do nascimento. Ou para sempre. O dia em que morreu.

  • 06.Nov
  • O urso maior
  • Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

  • Rudimentum

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  • 03.Sep
  • Até logo
  • Conrad foi educado na Polónia ocupada pela Rússia. O seu pai, um aristocrata empobrecido de Nałęcz, foi escritor e militante armado, sendo preso pelas suas actividades contra os ocupantes russos e condenado a trabalhos forçados na Sibéria. Pouco depois, a sua mãe morreu de tuberculose no exílio, e quatro anos mais tarde também o seu pai, apesar de ter sido autorizado a voltar a Cracóvia.

  • 09.Jul
  • Amanhã submerso
  • Os casos de polícias são verdadeiramente casos que envolvem uma organização de termos e burocracias, de formalidades, mas que formam em todo o seu novelo uma intenção. A vontade de desvendar o caso ou a de o levar ao esquecimento, para que desapareça dos olhos da sociedade e se iliba em nome de uma memória colectiva dissipante. Está sempre a acontecer.

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  • 29.May
  • Talvez e só uma lenda… sem legendas
  • Luís Amorim morreu aos 17 anos. O Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia, também foi , igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade que por vezes vive muito distante da realidade. Na terra onde tudo parece ser a brincar e estar fora do sítio ou ser a faixa errada de um disco riscado. E quantos mais ocuparam a mesma cadeira dos quais nunca se ouviu falar?

  • Poematis

  • 02.Mar
  • Women, Wine and Snuff
  • John Keats was the latest born of the great Romantic poets, following Byron and Shelley. During his short life, his work was not well received by critics, but his posthumous influence on next generating poets was impressive. The poetry of Keats was characterised by sensual imagery and tempest desires. He died in Rome when he was twenty five.

  • 21.Feb
  • Pelos gritos
  • O solo a dez metros de outro solo. Que treme à passagem do rodado. Alcatrão, ferro, coisas armadas. O uivo de um novo bicho que rasga o pequeno horizonte. Solavancos. O redor tempestivo, das festas. E a tua mão a voar sobre elas. Por entre a minha boca aberta.

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  • 20.Dec
  • Listen
  • Now, I couldn’t believe that in this very moment, faraway or here, someone isn’t thinking about me. I don’t think about it because believing just like that, there or here, any one may think about me, or believe in that tiny moment, that is thinking about me for some other reason in which I don’t believe, even thinking the opposite, will be a hard time.

  • 03.Dec
  • Cascos de rolha
  • Não contar a ninguém. Não falar. Sobre a faixa invertida. Esquecer. Perder a lembrança. Apenas o marco abstracto, aqui. E a lonjura. Como um ponto perdido. Para voltar a um qualquer início. Não, voltar não. Ir. Por um breve instante. Ao primeiro degrau. E voar.

  • 25.Nov
  • By Roberto Bolaño
  • My muse is following me, wherever I go or trail. She’s here ever, across this long night where years go by. Not caring about one or nothing, sickness or pain. And there’s no effort she makes to be just where we are. But Bolaño tells it much better.

  • 03.Aug
  • Para sempre também
  • O Homem do Leme é uma personagem que nasceu algures. Já se foi. Um homem sem leme. Sem vela. Um homem que vai ao sabor do vento, mas sem o provar, sem poder ir com ele. Um vento que lhe diz tudo não dizendo nada.

  • Sanus & Statua

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  • 03.Apr
  • Step over my dead body
  • The Kills: Alison Mosshart was previously in Floridian punk rock band Discount, and Jamie Hince was in the British rock bands Scarfo and Blyth Power. The duo first met when Mosshart heard Hince practicing in the hotel room above hers, and when Scarfo and Discount disbanded they struck up a songwriting partnership.

  • 29.Mar
  • She’ll come, she’ll go
  • Lady Grinning Soul” is a ballad written by David Bowie, the final track on the album Aladdin Sane, released in 1973. The composer’s first meeting with American soul singer Claudia Lennear in 1972 is often cited as the inspiration for the song. One of most underrated songs quite unlike anything else Bowie has ever done.

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  • 09.Feb
  • The stitches open
  • The Dø is a French duo formed by musician and soundtrack composer Dan Levy and Finnish singer Olivia Merilahti. The name is pronounced the same as the English word “dough” and is presumably derived from the first sound of the “Do-Re-Mi.”
    Dan said in an interview on TV that the name of the band is formed with the initials of their names. The word “dø” means “die” in Danish and Norwegian.

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  • 12.Jan
  • Love yourself
  • “No Pussy Blues” is a garage rock song written by the band Grinderman. It talks about the tricks in the book to seduce a woman and sleep with her, only to be constantly rejected. When asked during an interview whether the song had a deeper meaning, Nick Cave replied “No, it’s just about not getting any pussy.”

Plurimus

Acreditamos que neste lugar tudo podemos fazer. Toda a liberdade existe por aqui. E nada mais importa.

We believe that in this place we can do everything. Freedom flows all over. And nothing else matters..

Flamma

E mais seremos se daqui pudermos ver o resto do Atlas e todo o Passado e, para além disso, uma boa parte do Futuro.

Nuntius