Os números da taluda

Daqui a uns anos. Talvez cem, talvez mil. Quem sabe mais. O mundo vai dar uma volta. E esta coisa que o habita. Com estas máquinas que usa. Vão misturar-se numa unidade só. Funcionando em parceria sem mais quebras. Sem mais atrasos. E depois? Depois tudo passa para o interior e não é preciso mais nada. Este é um texto premonitório de uma memória que absorve tudo. A memória indulgente.

By Antønio Falcão

on 14 May 10

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Tenho a impressão que, mais cedo ou mais tarde, os computadores vão acabar. Não de um momento para o outro, à maneira de um tremor, mas gradualmente, muito semelhante a uma viagem, assim como alguém que apanha um barco e quando chega, à terra de onde antes partiu, encontra um mundo novo. Não totalmente diferente. Não desconhecido. Mas o seu lugar nativo que tanta felicidade lhe traz, trajado de outro jeito. Limpo, corriqueiro, eficaz. A satisfazer a evolução do Homem, que se articula aos pedaços.

Veja-se, agora, para que serve a comodidade desses instrumentos e a que distância estamos dessa mudança aparecer. Na realidade, e isto não é nenhum exagero, não estamos muito longe. Falta bastante menos do que o que levámos para aqui chegar. Diria mesmo que está a um passo de acontecer. Como o esticar de um braço, o abrir de uma janela, um engano a passar. O fôlego quente do ar que se solta dos pulmões. Um salto. É tão elementar como isso.

Usamos estas ferramentas diariamente mas o que são e como o fazem, embora seja visível o resultado, ninguém sabe bem. Ninguém sabe como é que uma imagem se estende pelos poros de um ecrã. Como é que evolui. Como ninguém sabe que fórmula química procede a clareza de um desenho no papel. O que quero dizer, é que o processo, desconstruído até ao último estado, é idêntico. E responde apenas a uma série de questões, um percurso para lá chegar, com dois tipos de resposta: sim ou não. O mesmo que zero e um. Preto ou branco.

Se calhar não me explico bem. Decisivamente este não é o melhor modo de dar início a esta história. Vou recomeçar. Não é uma história, por assim dizer. Mas pode ser que conte alguma coisa.

A memória, o objecto onde se guardam as recordações e tudo aquilo que causamos, não tem fim e por sua vez não tem espaço. Virada do avesso, a memória, temos o Universo, um multiplicar de infinitas galáxias, com os seus buracos negros e os seus irrepetíveis sóis. Os seus génios.

“Explique melhor, senhor professor”, dizem lá atrás. “Não estou percebendo”, é um aluno com um pouco de sotaque brasileiro, mas não brasileiro de todo.

Ora bem, um computador, uma memória. E agora?

Um dedo no ar na segunda fila. É uma aluna com ar eslavo, mas não totalmente. Ninguém aqui é por inteiro qualquer coisa. Dou-lhe a palavra.

“Eu sei”, diz. “Os computadores na verdade não existem. Nós vemo-los, fazemos uso deles para tudo o que nos é importante. E quem diz computador, diz outra coisa qualquer. Têm o seu volume, a sua cor, um leve aroma. Mas não são nada. São apenas algo que vemos e sentimos, pelo olhar, pelo tacto. Mas tudo se passa cá dentro!”, e chega o seu longo dedo indicador a uma das têmporas, como um pica-pau.

Não estamos numa aula. Não estamos em parte alguma. Caminhamos. E não está aqui ninguém. Nem brasileiros nem eslavos.

Não sei quanto tempo vai durar, a viagem até à terra natal. O campo torna-se cada vez mais amplo e mais disperso, mas a cada momento mais exacto e mais denunciado. Um fiel pasmo. Ainda brincamos às coisas. Os americanos brincam às guerras, os gregos brincam aos troianos e afundam-se na sua bancarrota como se mergulhassem no mar. Mas é apenas um jogo. Uma moeda que se enfia numa máquina-da-sorte e cai em voo controlado. Com o seu peso e a sua gravidade a redigir o resultado. É uma diversão. Não é a inteligência do Homem a trabalhar. Não é o que ele sabe fazer. Tanto faz, na verdade. O tempo gastasse, mas também o tempo não acaba. E o Homem pensa, mesmo sem pensar, que algum dia isto vai ser diferente. Vai ser muito melhor.

Agora não importa muito. Estamos nos primeiros minutos de jogo. Veja-se a grande China, por exemplo, é apenas uma história para crianças. Crianças de todo o mundo, com uns gatafunhos que não lembram ao diabo. Porque na realidade, se isto contasse, não era assim. As pessoas saberiam como reagir. Saberiam o que viria por A+B. Perceberiam que a fórmula do poder não é de todo convincente. Ou palavras como democracia, liberdade, independência, não são mais do que pequenos tratos. Uma manteiga que se barra no pão, e que se vai comendo às dentadas, devagarinho. Estão ali para iludir, para dizer qualquer coisa. Um embuste de uma mente que tem muito mais para fazer, que tem um largo domínio de reacção, tão colossal como qualquer universo, só que não está para isso. Ainda.

E alude-se a advogados, a administradores de ministérios, a acólitos. Mas que é isto, para que serve? Serve para se justificarem a eles próprios. A sua função, a sua proveniência. Servem como a areia da praia serve para dizer que aquilo é areia da praia.

“Senhor professor?”, reboliço na sala. “Então?”

Dentro de um computador existem umas peças. Uns encaixes. Há material físico de várias cores. Alguns deles dialogam com os outros. Uma pequena parte corrige os erros de tudo o que está lá dentro. Por dosagens matemáticas precisas. Que no díodo do seu composto rectificador, de sins e nãos, constroem o que vemos no monitor. Preto no branco. Um arco-íris. E é o que vemos em qualquer parte, átomos em choque por todo o lado, cheios de animalejos e de fórmulas tremendas, mas numa harmonia sem igual. Uma parede. A tecla de um piano. O olho azul, tão transparente, daquela rapariga bonita.

“É isso, não é?”, pergunto.

Mas no recinto já não está ninguém. Todos partiram para o recreio. Os seus pequenos confrontos. O copo de leite. A paixão assolapada. Os seus disfarces naquilo que lhes disseram para desempenhar. Hoje és policia, amanhã és um ladrão.

É simples. Esses zeros e uns que agora se espalham pelos discos duros dos engenhos informáticos vão transferir-se para o corpo humano e instintivamente para a natureza. Juntar-se-ão a tudo o que já existe. À larga população de protões, electrões e neutrões. E as pessoas, os animais, as coisas, vão sofrer essa modificação determinante para a proliferação da vida na Terra. Vão finalmente fazer aquilo para que estão aptos. Uma sessão de cinema não vai passar fora, mas dentro do olhar. Na orla do que perfaz a imaginação. Não serão precisos efeitos especiais, nem os milhões devorados na sua produção. Será simples. Eficaz, claro, vulgar. Os sonhos tornados peças de fruta.

Não se trata de nenhuma religião ou crença sem sentido, é a verdade, é o futuro que se apresenta em sintonia, e como prolongamento, de tudo o que fizemos até agora. Os tempos clássicos, a mitologia greco-romana, os egípcios e depois os árabes. Da Vinci e Einstein. Eisenstein e Qualquer Coisa que o Valha. A Maçã de Adão e a Apple. Tudo isso são estações, com as suas intempéries, os seus virtuosismos, que nos trouxeram até aqui, até este estádio inundado de gente.

Todos irão perceber que deus não existe, que isso tudo é uma parvoeira e apenas uma palavra. Que a felicidade e o sucesso são apenas uma fórmula, que o bem estar é como os dedos de uma mão. São cinco. Ou dez, conforme o ponto de vista. Um número. Uma coisa definida fácil de montar. Como o celibato ou a lucidez. Mas que no entanto se suplanta pela sua biodiversidade e,que na sua mais aprumada configuração jorra de prazer. Para sempre.

É isso que faz o Homem. São essas as suas capacidades. Tanta recordação. Tanta matéria testada. Tanto sangue em correria nas veias, o barco que parte e regressa ao seu porto, vezes e vezes sem conta, e no entanto parece que não querem aprender. Que não querem encontrar o mundo novo. Contentam-se com as Mil e Uma Noites e o Tom e o Jerry. Mas eu acredito que falta muito pouco, que está mesmo ao virar daquela esquina. É uma questão de dias. De luz. De escuridão

“E os números da taluda, senhor professor?”

Abro os olhos, só para ter a certeza. Na sala não resta ninguém. Nada de novo, portanto.

[Memória Indulgente #3 • Hoje Macau • 17 MAI 2010]

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2 Comments

  1. Senhor Professor added these meaningful words on May 14, 2010 | Permalink

    Três, Quinze, Dezanove, Vinte e Sete, Trinta e Um, Quarenta e Dois e Quarenta e Três!

  2. Joanna added these meaningful words on May 14, 2010 | Permalink

    Ahaha… gostei… estou para ver isso acontecer. Ainda é cedo, acho eu. Beijinho!

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  • Fingo

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  • 04.Jun
  • Toshiba Zoom XR324Y
  • Dionísio, o Exíguo (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor (c. 470), no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma. Versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor.

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  • 19.Feb
  • A descoser os lábios de uma ferida
  • Tempo morto. Tempo para usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão. Um tempo sem sombra, por preencher. E quantos dias mais. Quantas brasas por queimar. Mornas a precisar de chama. Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. E agora, dizes tu. E agora?

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  • 21.Oct
  • Velouria
  • Nunca se começa uma história com a frase “Ia no meu BMW”, toda a gente sabe disso. Mas isto não é literatura. Isto não é nada. É apenas uma aversão. Aversão a uma vida. São os fios entrelaçados, quase sempre trocados e sem cor definida. A matéria cinzenta, os remoinhos, as suposições, os choques, de alguém profundamente desconcertado. Por isso, é assim que este texto começa. Por aí, em roda livre. Mas não se diz, salta-se para o lado de fora. Para o esquecimento.

  • Fabulaz

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  • 18.Jun
  • Romance histórico
  • Esta é uma história perdida, que foi ficando na gaveta e que moveu outras vontades. Os nomes eram outros. Mas os nomes não tinham importância afinal, por pertencerem a gente pequenina. Agora tudo se levante e chega como novo.

  • 26.May
  • Língua portuguesa
  • Diz-se para se ouvir. Mas em certos modos, épocas, construções químicas, esse processo não se realiza. Existe apenas a sensação. O desejo. O sabor daquilo que não se explica por palavras. E como tal, não pelo dizer ou pelo ouvir. Os olhos fecham-se e um sentido contundente do que somos, e que se reflecte num outro ser, ataca-nos sem mais lembrança. Sem mais representação. E tudo isso é um transporte para uma felicidade em pleno. Uma espécie em vias de extinção.

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  • 30.Apr
  • Olhar para um palácio
  • A História mesmo por becos e veredas merece sempre ser contada. Cheguei ao território de Macau há demasiado tempo. Tudo passou de repente. As caras, os factos, as viagens. O que resta é o quotidiano, que se repete a cada minuto, incessante, com a mesma cadência. Como um rosto que se adivinha com a teimosia de quem olha sempre para um palácio.

  • 26.Apr
  • Venho apenas dizer-te adeus
  • Matusalém, personagem bíblico do Antigo Testamento, que teria sido filho de Enoque e o avô de Noé, é geralmente conhecido por ser a personagem com mais idade de toda a Bíblia, tendo vivido 969 anos, sendo que o ano de sua morte coincidiria com a ocasião do dilúvio, o que é apenas um cálculo aritmético já que o dilúvio ocorreu quando Noé tinha 600 anos. No livro apócrifo de Enoque, Matusalém vai pedir explicações ao seu pai devido ao facto de lhe ter nascido um neto estranho e diferente de todos o que havia visto até então.

  • Velox Vehemens

  • 26.May
  • Dezoitorizante
  • O tempo nem sempre corre como devia correr. Por vezes escapa-se para acontecimento incerto. Algures no passado ou no futuro. E o que fica é uma brisa. Um estalar de dentes. Um sorriso. Um eco. De uma coisa que já se foi. Há muito tempo. É mais um pequeno momento de Lime e o seu inseparável Purple.

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  • 13.May
  • Nature boy
  • «Se as páginas deste livro consentem algum verso feliz, perdoe-me o leitor a indelicadeza de o ter ursupado previamente. Os nossos nadas pouco diferem; é vulgar e fortuita a cicunstância de que sejas tu o leitor destes exercícios e eu o seu redactor.»
    Jorge Luis Borges
    [nota em Fervor de Buenos Aires]

  • 13.May
  • Moço de recados
  • Queres dizer alguma coisa, mas não sabes como, por isso inventas, inventas largo, e dizes o que não deves dizer, porque na verdade não sabes falar, sabes sentir, sim, sentes à tua maneira, mas não sabes falar, não sabes contar, balbucias, depois ninguém te pode aparar e aí é que são elas!

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  • 07.Dec
  • Odeia quando falho
  • Vai ser em Junho. O dia está marcado. Do próximo ano. É aí que tudo vai acontecer. Ou do outro ano. Que o mundo vai recomeçar. Sem enganos. Em vez de acabar. Ou do seguinte. Os dias limpos. Mais tarde. As serras verdes e a brilhar. O dia do nascimento. Ou para sempre. O dia em que morreu.

  • 06.Nov
  • O urso maior
  • Há sempre uma esperança. Em guarda. Não tão vã como isso. De uma plenitude sem retorno. Que nos espreita. Que nos vigia. Que nos alimenta o espírito. Como uma luz apagada.

  • Rudimentum

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  • 03.Sep
  • Até logo
  • Conrad foi educado na Polónia ocupada pela Rússia. O seu pai, um aristocrata empobrecido de Nałęcz, foi escritor e militante armado, sendo preso pelas suas actividades contra os ocupantes russos e condenado a trabalhos forçados na Sibéria. Pouco depois, a sua mãe morreu de tuberculose no exílio, e quatro anos mais tarde também o seu pai, apesar de ter sido autorizado a voltar a Cracóvia.

  • 09.Jul
  • Amanhã submerso
  • Os casos de polícias são verdadeiramente casos que envolvem uma organização de termos e burocracias, de formalidades, mas que formam em todo o seu novelo uma intenção. A vontade de desvendar o caso ou a de o levar ao esquecimento, para que desapareça dos olhos da sociedade e se iliba em nome de uma memória colectiva dissipante. Está sempre a acontecer.

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  • 29.May
  • Talvez e só uma lenda… sem legendas
  • Luís Amorim morreu aos 17 anos. O Vitor Silva anos antes, também jovem, em pleno dia, também foi , igualmente sem justiça. Ambos eram portugueses. Mas não importa a nacionalidade, o que importa é que ninguém, ou quase ninguém, fez nada para tentar apurar a verdade que por vezes vive muito distante da realidade. Na terra onde tudo parece ser a brincar e estar fora do sítio ou ser a faixa errada de um disco riscado. E quantos mais ocuparam a mesma cadeira dos quais nunca se ouviu falar?

  • Poematis

  • 02.Mar
  • Women, Wine and Snuff
  • John Keats was the latest born of the great Romantic poets, following Byron and Shelley. During his short life, his work was not well received by critics, but his posthumous influence on next generating poets was impressive. The poetry of Keats was characterised by sensual imagery and tempest desires. He died in Rome when he was twenty five.

  • 21.Feb
  • Pelos gritos
  • O solo a dez metros de outro solo. Que treme à passagem do rodado. Alcatrão, ferro, coisas armadas. O uivo de um novo bicho que rasga o pequeno horizonte. Solavancos. O redor tempestivo, das festas. E a tua mão a voar sobre elas. Por entre a minha boca aberta.

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  • 20.Dec
  • Listen
  • Now, I couldn’t believe that in this very moment, faraway or here, someone isn’t thinking about me. I don’t think about it because believing just like that, there or here, any one may think about me, or believe in that tiny moment, that is thinking about me for some other reason in which I don’t believe, even thinking the opposite, will be a hard time.

  • 03.Dec
  • Cascos de rolha
  • Não contar a ninguém. Não falar. Sobre a faixa invertida. Esquecer. Perder a lembrança. Apenas o marco abstracto, aqui. E a lonjura. Como um ponto perdido. Para voltar a um qualquer início. Não, voltar não. Ir. Por um breve instante. Ao primeiro degrau. E voar.

  • 25.Nov
  • By Roberto Bolaño
  • My muse is following me, wherever I go or trail. She’s here ever, across this long night where years go by. Not caring about one or nothing, sickness or pain. And there’s no effort she makes to be just where we are. But Bolaño tells it much better.

  • 03.Aug
  • Para sempre também
  • O Homem do Leme é uma personagem que nasceu algures. Já se foi. Um homem sem leme. Sem vela. Um homem que vai ao sabor do vento, mas sem o provar, sem poder ir com ele. Um vento que lhe diz tudo não dizendo nada.

  • Sanus & Statua

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  • 03.Apr
  • Step over my dead body
  • The Kills: Alison Mosshart was previously in Floridian punk rock band Discount, and Jamie Hince was in the British rock bands Scarfo and Blyth Power. The duo first met when Mosshart heard Hince practicing in the hotel room above hers, and when Scarfo and Discount disbanded they struck up a songwriting partnership.

  • 29.Mar
  • She’ll come, she’ll go
  • Lady Grinning Soul” is a ballad written by David Bowie, the final track on the album Aladdin Sane, released in 1973. The composer’s first meeting with American soul singer Claudia Lennear in 1972 is often cited as the inspiration for the song. One of most underrated songs quite unlike anything else Bowie has ever done.

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  • 09.Feb
  • The stitches open
  • The Dø is a French duo formed by musician and soundtrack composer Dan Levy and Finnish singer Olivia Merilahti. The name is pronounced the same as the English word “dough” and is presumably derived from the first sound of the “Do-Re-Mi.”
    Dan said in an interview on TV that the name of the band is formed with the initials of their names. The word “dø” means “die” in Danish and Norwegian.

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  • 12.Jan
  • Love yourself
  • “No Pussy Blues” is a garage rock song written by the band Grinderman. It talks about the tricks in the book to seduce a woman and sleep with her, only to be constantly rejected. When asked during an interview whether the song had a deeper meaning, Nick Cave replied “No, it’s just about not getting any pussy.”

Plurimus

Acreditamos que neste lugar tudo podemos fazer. Toda a liberdade existe por aqui. E nada mais importa.

We believe that in this place we can do everything. Freedom flows all over. And nothing else matters..

Flamma

E mais seremos se daqui pudermos ver o resto do Atlas e todo o Passado e, para além disso, uma boa parte do Futuro.

Nuntius