E subir
Por um pouco de andar
O limiar da utopia, ainda
Dentro de uma mísera revolta
Que ninguém conhece
Feita em pedaço de fé
Pedaço de mim
Sem sombra, sem cara, sem transparência
Desejo obsoleto incontrolável
Por um qualquer fio de agulha
Posto a espreitar
A acreditar, um último segundo
Na fisga para o universo
Os livros, os copos, o sofá
Cenário de um outro tempo
E a roupa de dormir
De perto
O mesmo equívoco
Sem chuva, sem rumor
A prescrita repreensão
Rompante de certeza
Nas linhas de um deserto barroco
A vida toda para além do céu
E o abismo peremptório
A repisar as cinzas da indefinida confiança
As coisas, o saber, as cordas, vento lá fora
Uma espécie de atentado, insuportável
Da alma
O corpo breve encurralado, sem mente
Na verdade trocada, revista
Um armário
Sem nada lá dentro
Sem saída
Vazio
Cheio
A explodir
A querer o longe
O desconhecido
A ignorância
E no fim, no vácuo
Por defeito, por excesso
Nem a amizade se queda
Ou o passado.













