Dionísio, o Exíguo (ou seja Dionísio o Menor, significando o Humilde), foi um monge do século VI, nascido na Cítia Menor (c. 470), no que é actualmente a região de Dobruja, Roménia, membro da chamada comunidade dos monges da Cítia em Roma. Versado em matemática e em astronomia, celebrizou-se pela criação de um conjunto de tabelas para calcular a data da Páscoa, levando à introdução do conceito de anno Domini, o ano do Senhor.
A descoser os lábios de uma ferida
Tempo morto. Tempo para usar. A espera por tudo aquilo que faz falta. A exactidão. Um tempo sem sombra, por preencher. E quantos dias mais. Quantas brasas por queimar. Mornas a precisar de chama. Sempre a vontade e a sintonia no mesmo pranto. E agora, dizes tu. E agora?
Velouria
Nunca se começa uma história com a frase “Ia no meu BMW”, toda a gente sabe disso. Mas isto não é literatura. Isto não é nada. É apenas uma aversão. Aversão a uma vida. São os fios entrelaçados, quase sempre trocados e sem cor definida. A matéria cinzenta, os remoinhos, as suposições, os choques, de alguém profundamente desconcertado. Por isso, é assim que este texto começa. Por aí, em roda livre. Mas não se diz, salta-se para o lado de fora. Para o esquecimento.
Chinese for Dummies, Part I
Learning Chinese. Dummies, as we all are, it’s hard to get. We start by the numbers. The numbers that tell other words and have other meanings. If you sing them in a different way. And there, just by themselves, you can make up your whole story. Of living in the wrong side of the planet at the wrong time. Which is always hard to handle. So why not give it a try and follow me?
Denominadores mais frequentes
Este texto saiu no Hoje Macau no ano longínquo de 2004. Faz parte do pacote de notícias verídicas com uma base ficcional. Ring chama a isto Fiction News, onde se mistura no mesmo saco um cão raivoso e um gato assanhado. Aqui aparece o famoso Convencimómetro, também presente em algumas das suas histórias. Era uma época memorável esta que percorria todo o tempo do 35 de Abril.
O crime organizado
A luz chegava negra ao planalto, cheia de indolência, na casca da minha árvore, por entre a pele da minha cobra. Finalmente completo. Finalmente vazio. O Buda no sorriso dos Himalaias, perdido da sociedade civil.
A minha versão dos factos
Em português: “A Terra do Aleluia”, já alguém ouviu falar? Eu também não iria acreditar, se um estranho me contasse. Mas eu sei-a de cor, porque passou por dentro de mim, há muitos anos. Fala-se de notícias aqui. Coisas de várias tonalidades. Uma dioptria ou outra e uma ventoinha.
Veneno de rato
Era assim que passávamos as nossas noites. Quando acordavas eu já tinha ido para o emprego. Saía sempre à mesma hora, para me dar tempo de ler o jornal no café e saber o que se passava. E era sempre tanta coisa que quando chegava ao trabalho levava o tempo de um lado para o outro, a falar alto.
Exército de Kamikazes
A neve não pára de cair. As nuvens não param de passar. O céu azul lá está a olhar para mim. Os ursos. Aqui mesmo por cima. Um ambiente espiritual de último grau. Uma cena de fim de tarde no Monte do Templo, nesta terra santa. Mas esta água em flocos, que quer dizer, podes explicar? Um chamamento divino?
A ilimitada fé do incrédulo
O engenho do Esconderijo está todo estudado, e perde-se por entre os milénios. É uma obra prima que não deixa marca nem cicatrizes. Quem vem segue um processo de retiro e de reserva. Elimina o seu próprio rasto. Cria um álibi. Tudo é secreto. Quem sabe da existência deste lugar segue apenas um impulso, um acordo de frequência que é a sintonia de todo o seu fugaz anseio. É isso que os traz. é isso que os leva.